Históricos dos Encontros Nacionais dos Estudantes de Geografia (ENEG)

Em sua tese “O BALANÇO DE UMA PROGRESSÃO: Os temas, programações e imagens dos ENEGs”, Charles da França expõe um pouco da importância dos Encontros de Estudantes. “Após 14 edições e passados mais de 25 anos, os ENEGs construíram sua história na Geografia brasileira. Estes encontros foram importantes veículos da Renovação da Geografia, principalmente em suas primeiras edições. Os ENEGs foram muito importantes no curso da história, pois permitiram que importantes espaços de disseminação das idéias que fundamentavam a renovação da geografia, de crítica às estruturas arcaicas dominantes nas Universidades e na AGB e, sobretudo, permitiram a criação de diálogo e organização nacional dos estudantes.”

Aqui vai um breve resumo dos encontros realizados até agora:

O I ENEG foi realizado em dezembro de 1979, na Universidade Federal de Goiás. Este Encontro vinha sendo amadurecido durante os Congressos interuniversitários que eram organizados pela UPEGE (União Paulista dos Estudantes de Geografia), que neste período representava o que tinha de mais organizado entre os estudantes de Geografia, e nos fóruns do movimento estudantil mais geral, que começava a dar sinais de vida. Colaboram com esta organização alguns outros Centros e Diretórios Acadêmicos que existiam de forma mais ativa no país, fundamentalmente os estudantes do centro-sul brasileiro.

O II ENEG , ocorrido em Aracaju, no período de 20 a 24 de julho de 1981, apresentou-se como uma quase continuidade do I Encontro. No que diz respeito à dinâmica de organização, outra vez foi privilegiada a participação dos estudantes nas discussões realizadas durante o evento.

No III ENEG , realizado em São Luís, Maranhão, no período de 17 a 22 de julho de 1983, percebe-se algumas “novidades” na concepção do Encontro, tanto em sua estrutura, quanto nas temáticas tratadas. Esta edição do ENEG apresenta o tema “Geografia e Sociedade”, que embora não apareça no material de divulgação é facilmente percebido na articulação das etapas durante o evento.

O IV ENEG foi realizado em Vitória, no Espírito Santo, em 1985.

Já o V ENEG, realizado em Cuiabá, no período de 15 a 20 de julho de 1987, com o tema “O Ensino de Geografia - Atuação do Geógrafo” é o primeiro dos ENEGs, até então realizados, que vai tratar da temática do ensino como eixo central. Esse encontro reuniu mais de 1000 estudantes de todas as partes do País.

O VI ENEG, cujo tema é “Geografia e a luta de classes na Amazônia”, que foi realizado de 26 a 31 de janeiro de 1990, na cidade de Belém-PA, pode ser considerado um marco para o movimento estudantil de Geografia e para própria história de realização dos Encontros Nacionais de Estudantes de Geografia. Ele aconteceu num momento muito especial para a sociedade brasileira. Todo o processo de sua construção se deu em meio a intensas atividades políticas no país. Era véspera da primeira eleição direta para Presidente da República após 21 anos de Regime Militar. Esta conjuntura colocou ainda mais ingredientes na dinâmica dos movimentos sociais, principalmente por estarmos ante uma eleição ideologicamente polarizada. É em meio a este momento da sociedade brasileira que os estudantes de Geografia, organizados em seus Centros Acadêmicos, organizaram o VI Encontro.

O VII Encontro Nacional dos Estudantes de Geografia, em Goiânia, no período de 19 a 24 de janeiro de 1992, teve como tema: “A Geografia, a nova (des) ordem mundial e o “Terceiro Mundo”. No eixo “Organização e estruturação do movimento estudantil de Geografia”, foram tratadas questões relativas à organização dos estudantes de Geografia.

O VIII Encontro, realizado de 16 a 21 de janeiro de 94, na Universidade de São Paulo, reuniu cerca de 550 estudantes. Esse Encontro tem um conjunto de características que o tornam muito especial para o movimento estudantil de Geografia. Dentre essas particularidades podemos destacar a concepção do evento e sua estrutura e a efetivação da Executiva Nacional de Estudantes de Geografia.

O IX ENEG foi realizado no período de 24 a 29 de julho de 1995, em Maceió – AL. O Encontro reuniu mais de 1.200 estudantes. Podemos considerar esse ENEG como um encontro bastante especial para o movimento estudantil de Geografia. Muito criticado na escolha do tema geral “Geografia, Sociedade e Qualidade de Vida”, mas uma característica diferenciadora deste Encontro é a ausência dos grandes nomes da Geografia Brasileira e, principalmente, dos profissionais que vinham marcando presença nos ENEGs desde sua 1ª edição, e que têm na sua história de formação política/acadêmica um enorme envolvimento com os Encontros de Estudantes.

O X Encontro Nacional de Estudantes de Geografia, realizado no período de 26 a 31 de janeiro de 1997, em Uberlândia, com o tema “Geografia e Políticas Contemporâneas”, reuniu, pela primeira vez, estudantes de Geografia de todo país em uma cidade mineira.

O XI Encontro Nacional de Estudantes de Geografia ocorrido em Cuiabá, no período de 1° a 8 de março de 1998, reuniu aproximadamente 600 estudantes, sendo esta a segunda oportunidade de realização de um ENEG nesta cidade. A temática central desse encontro – “O Pensamento e o Trabalho do Geógrafo no Fim do Milênio”, recuperou algumas discussões que desde as primeiras edições dos ENEGs não eram tratadas pelos estudantes como eixo articulador de seus encontros..

O XII ENEG foi realizado após muitas dúvidas sobre a sua realização. Havia uma descrença sobre a viabilidade de realização de um encontro nacional num local tão distante da maioria das Universidades e Faculdades do Brasil, principalmente as dos grandes centros (as mais mobilizadas no momento). Para surpresa de muitos, o evento reuniu mais de 600 estudantes em Macapá (a maioria vinda do Centro-Sul brasileiro). A organização do ENEG contou com apoio do Governo do Estado do Amapá, que financiou parte do evento. O tema “As Transformações Geográficas e a Amazônia no Mundo Globalizado”, apesar de tratar especificamente da Amazônia, segue, no que diz respeito às “Transformações Geográficas” e “Mundo Contemporâneo” uma tendência de temas que os ENEGs vêm desde o VII ENEG (com exceção no VIII e IX ENEGs). O encontro realizado nos período de 6 a 10 de fevereiro de 2000.

O XIII ENEGfoi realizado de 21 a 28 de janeiro de 2002, na cidade de Porto Alegre (RS), o primeiro na região Sul do País, sob o tema “Vice-Versa – Movimentos Populares, Movimento Estudantil: Por um Encontro na Geografia”. Uma das novidades foi o surgimento da Gestão Participativa da Coneeg, que buscava dar um tom mais democrático à Executiva Nacional..

Goiânia foi entre 27 de julho e 2 de agosto de 2003, mais uma vez, a sede do Encontro. O XIV ENEG foi realizado na capital do Estado de Goiás e teve como tema “Geografia: Ciência ou Prática Social?”. O evento reuniu mais de 800 estudantes do Brasil inteiro e foi realizado na Universidade Federal de Goiás e na Universidade Católica de Goiás. Nesta edição, a Coneeg manteve a Gestão Participativa.

O XV ENEG ocorreu em Salvador, de 11 a 17 de fevereiro de 2005, tendo como tema “Política, Educação e Sociedade: Um Só Mundo, Vários Cenários Geográficos”. A escola-sede foi a Universidade Católica de Salvador e o evento contou com a participação de milhares de estudantes do Brasil inteiro, do Amapá ao Rio Grande do Sul. Os estudantes presentes optaram por continuar com a Gestão Participativa na Confederação Nacional de Entidades de Estudantes de Geografia. Cáceres foi a escolhida para ser a sede do próximo encontro, em detrimento a Teresina e Brasília.

O XVI ENEG voltou para o Centro-Oeste e foi realizado em Cáceres, no Mato Grosso, de 14 a 19 de janeiro de 2007. Utilizando parte do campus da Unemat e de escolas públicas da região, o tema escolhido foi “A atuação do movimento estudantil de Geografia e a transformação sócio-espacial brasileira”. Um fato marcante do encontro foi que, por conta do excesso de chuva na cidade na data do encontro, a cidade alagou e muitos estudantes procuraram ajudar as pessoas que tinham suas casas alagadas. Apesar do grande debate na plenária final, a Gestão Participativa foi mantida na Coneeg e os estudantes se dividiram entre duas possibilidades de escola-sede para o Eneg seguinte, mas Porto Velho (RO) superou Brasília (DF).

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